segunda-feira, 23 de março de 2009

Já não sei de mim.
Mas alguém saberá de mim?!
Perdi-me numa esquina, numa curva que não se desfaz.
Não consigo fugir dela.
Todo o meu percurso é em curva como se não houvesse outro caminho, uma seta que me aponte a direcção, um mapa, um GPS, qualquer coisa que me puxe para fora da força centrífuga que me engole.
Sei que ainda não me despistei, sei que ainda não estou morto porque me doi a alma toda.
Mas, nem o rosto que vejo no espelho reconheço.
Tem uma sombra por detrás.
Mas não é o teu cabelo, nem o teu olhar.
Há uma música de fundo que não identifico como nos pesadelos.
Já pensei que estava louco ou que os cigarros que compro não têm nicotina mas. outra coisa qualquer que alguém. para me confundir. lá colocou. Como se eu fosse um correio de droga.
O médico disse-me que preciso dormir. Mas, acordo sempre com o mesmo sonho e adormeço sempre com ele.

Perdi-me de mim mesmo.
Já não sei de mim.
Onde andas para me encontrares?

______

PTM

segunda-feira, 9 de março de 2009

Tempestade sem retorno


__________________________________________________
Um gajo quando se passa , perde-se.

Se te disser que me passei, acreditas?
Mas é verdade. Passei-me.

E um gajo quando se passa perde-se mesmo. Embarca em um qualquer navio que passe no porto e inicia uma viagem longa.
Não sei se a minha tem retorno.

Se te contassse o que de há 3 anos me acontece e a viagem em que embarquei há tempos.
Se te contasse, dizias-me moribundo e cadáver de uma vida que nunca quis para mim mas é minha agora.

Há ventos no cais, sinto que por vezes a tua mão me acena e o teu sorriso me diz:- Volta!
Mas eu embarquei no primeiro barco que passou no porto. Ainda tentei desembarcar, uma vez ou outra mas, um homem quando se passa perde-se.

Já dei por mim embriagado de desgosto.
Nem tento estender a mão com medo de não encontrar a tua.

O homem do leme tem cabelos ruivos (agora pintou-os de ruivo) e, há noites que a lua parece um pesadelo como no Painel de José Régio.
Não sei se o barco tem bússula mas, sei que perdi o teu destino.

Um gajo quando se passa perde-se.
Queres mandar um barco à procura do meu Mar?
Achas que me encontras na bruma do teu esquecimento?
Amarar nos teus braços era um sonho que não posso ter neste momento.

Se o meu barco adornar e eu morrer no meio das algas, é porque me perdi e o timoneiro de cabelos ruivos como as noites de pesadelo, me arrastou para o fundo do Mar.

Ainda há sereias nos meus ouvidos,
mas nenhuma é a tua voz e nenhuma tem o teu magnifico Olhar.



PTM

sábado, 21 de fevereiro de 2009

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

"Duma Carta"

Começou por ser um comentário lá no blog Clepatramoon depois, passou a vontade de escrever aqui de novo. Uma vontade que já vinha perdendo.










Escrevias-me a miúde, e eu que comecei a fazê-lo quando um dia te perguntei se querias que o fizesse.


Tinha-te pedido que me escrevesses e tu tinha-lo feito em livro.
Depois a cada canto, a cada viagem, a cada quarto de hotel comecei a escrever-te.
A contar-te de mim e de mim por ti.
Fiquei preso à tua sedução e tu à sedução da minha escrita.
Talvez porque como podes ler na Visão desta semana, a sedução da escrita vem de longe e perdura.
Talvez porque escrever para ti era ter-te e sonhar-te e ouvir-te e ver-te e sentir-te.
Como se ao escrever-te fizesse amor contigo.
Como se à noite naquelas camas frias de hotel , ao escrever-te fizesse a magia de transformar as letras e as palavras no calor do teu corpo, ao qual, depois de cansado assinar as cartas, me abraçava para dormir.




De repente a tua escrita foi-se e ficou-me a dor da tua falta.
Davas-te em tudo o que escrevias, aí eras transparente e eu sabia que tudo era meu.
É por detrás do silêncio das palavras escritas que te escondes e me castigas.
Um dia o Adeus vai chegar num comboio à velocidade tempo que já existiu e nem vai perguntar pelas cartas que me escrevestes.
Nessa altura eu estarei a dormir ao lado da espera e talvez morto pelo sono de te sonhar e não te ter.


-


PTM

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Amar-te





















Este inferno de amar - como eu amo!
Quem mo pôs aqui n'alma... quem foi?
Esta chama que alenta e consome,
Que é a vida - e que a vida destrói -
Como é que se veio a atear,
Quando - ai quando se há-de ela apagar?

Eu não sei, não me lembra: o passado,
A outra vida que dantes vivi
Era um sonho talvez... - foi um sonho -
Em que paz tão serena a dormi!
Oh! que doce era aquele sonhar...
Quem me veio, ai de mim! despertar?

Só me lembra que um dia formoso
Eu passei... dava o Sol tanta luz
E os meus olhos, que vagos giravam,
Em seus olhos ardentes os pus.
Que fez ela? eu que fiz? - Não no sei;
Mas nessa hora a viver comecei..


[ Almeida Garrett, Folhas caídas ]

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009





















"Não sei de amor senão o amor perdido
o amor que só se tem de nunca o ter
procuro em cada corpo o nunca tido
e é esse que não pára de doer.
Não sei de amor senão o amor ferido
de tanto te encontrar e te perder.

Não sei de amor senão o não ter tido
teu corpo que não cesso de perder
nem de outro modo sei se tem sentido
este amor que só vive de não ter
o teu corpo que é meu porque perdido
não sei de amor senão esse doer.

Não sei de amor senão esse perder
teu corpo tão sem ti e nunca tido
para sempre só meu de nunca o ter
teu corpo que me dói no corpo ferido
onde não deixou nunca de doer
não sei de amor senão o amor perdido.

Não sei de amor senão o sem sentido
deste amor que não morre por morrer
o teu corpo tão nu nunca despido
o teu corpo tão vivo de o perder
neste amor que só é de não ter sido
não sei de amor senão esse não ter.

Não sei de amor senão o não haver
amor que dure mais do que o nunca tido.
Há um corpo que não pára de doer
só esse é que não morre de tão perdido
só esse é sempre meu de nunca o ser
não sei de amor senão o amor ferido.

Não sei de amor senão o tempo ido
em que amor era amor de puro arder
tudo passa mas não o não ter tido
o teu corpo de ser e de não ser
só esse meu por nunca ter ardido
não sei de amor senão esse perder.

Cintilante na noite um corpo ferido
só nele de o não ter tido eu hei-de arder
não sei de amor senão amor perdido."


Manuel Alegre

domingo, 21 de dezembro de 2008

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008


Tu és
terei uma única palavra para te definir?

Ou será que o que tu és é a relação que tenho contigo?

Plenitude?

Tudo?

Livre?

Positividade?

Tu és
TUDO.
Porque é que não se pode ter TUDO?!
-
PTM

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

A diferença..............


Uns têm..........
Outros não têm................
Outros tiveram e perderam...............


" Há certas horas, em que não precisamos de um Amor...

Não precisamos da paixão desmedida...

Não queremos um beijo na boca...

E nem corpos encontrarem-se na maciez de uma cama...


Há certas horas que só queremos uma mão no ombro,

o abraço apertado ou mesmo o estar ali, quietinho, ao lado...

Sem nada dizer...


Há certas horas, quando sentimos que estamos para chorar,

que desejamos uma presença amiga,

a nos ouvir paciente, a brincar com a gente, a fazer-nos sorrir...


Alguém que ria das nossas piadas sem graça...

Que ache as nossas tristezas as maiores do mundo...

Que nos teça elogios sem fim...

E que apesar de todas essas mentiras úteis,

nos seja de uma sinceridade inquestionável...


Que nos mande calar ou nos evite um gesto impensado...

Alguém que nos possa dizer:

Acho que estás errado, mas estou do teu lado...

Ou alguém que apenas diga:


Sou o teu Amor!

E estou Aqui! "




William Shakespeare

( *"Roubado" do blog da NI)

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Desafio da Lady Aran


1º colocar uma foto minha

DEPOIS OLHAR A DO LADO


2º Escolher um cantor(a), ou banda


Pedro Abrunhosa ; Sinatra; Caetano Veloso; Alcione; Joge Palma; Rui Veloso; muitos e tantos.


3º Responder às seguintes 10 questões utilizando nomes de músicas do artista e/ou banda


1 - És homem ou mulher?

Homem - "Frágil"

3 - O que é que as pessoas acham de ti?

"Frágil"


4 - Como descreves o teu último relacionamento?

" Estranha Loucura"

"Secret Love"


5 - Como descreves o estado actual da tua relação amorosa?“

“Sózinho”

“Estranha Loucura”

"You Are The Sunshine Of My Life"


6 - Onde querias estar agora?

"Quiet Nights of Quiet Stars "


7 - O que pensas a respeito do amor?

“Estranha loucura”

8 - Como é a tua vida?

"Estranha Loucura"

9 - O que pedirias se tivesses um único desejo?

"Return To Me"

"Encosta-te a mim"

"Jura"

10 - Escreve uma frase sábia...isto, não é pergunta!?!?

Não há frases sábias só sábios .


4º Desafiar outros bloguistas


Já volto!!

I'm in love with a married woman




We sit alone in the darkest corner
Waitress comes and takes our order
And she looks at us, so suspiciously
It's plain to see that we're lovers
Tryin' to be alone with each other
It's so hard for us to break free
She whispers softly, I love you
This ain't your average rendezvous.

'Cause I'm in love with a married woman
I don't care, I don't care who knows it
I'm in love with a married woman
On her left hand there's a wedding band
That she wears faithfully
And I thank God she's married to me.

No cheap hotel where we'll check-in
No other lives, we'll be wreckin'
With alibis to hide a cheaters kiss
'Cause if there's lipstick on my collar
You can bet your bottom dollar
It's the color she wears on nights like this
Every Friday here at five
I try to keep the fire alive.

'Cause I'm in love with a married woman
I don't care, I don't care who knows it
'Cause I'm in love with a married woman
On her left hand there's a wedding band
That she wears faithfully
And I thank God, I thank God
I thank God, she's married to me...

sábado, 8 de novembro de 2008


Não sei porque te desafiei. Irónico e convencido de que ganharia a partida. Entalado entre o tempo e a tua resposta lá me vi arrastado por ti para um canto à luz das velas onde mais ninguém senão nós existia.
Escolhido a dedo por entre os dedos. Uns sem anéis os outros com marcas.
Não sei porque te desafiei.
Irónico e convencido de que ganhava a partida.
Escolheste o local. Com a perfeição de uma feiticeira que sabe o que vai dizer, até onde me vai levar.
Arrastei-me pelo nó da gravata e sentei-me à frente do teu sorriso.
Queria fugir e queria ficar ali, cair-te aos pés e morrer nos teus joelhos.
Tinhas pensado tudo , ainda sabias tudo de mim.
Arranquei como um carro que sabe que tem pouca bateria e lancei-te acima o que fui buscar a um bolso roto que encontrei no casaco, uma história seca e sem cor, uma meia mentira por amor.
O teu olhar engoliu em seco mas enfeitiçou-me e perdi-me de raiva de vacilar.
Disseste-me as verdades transparentes. Tão diferentes das mentiras que te lançara entre verdades esfarrapadas.
As verdades que pendiam sobre o teu peito e dentro do teu peito.
Então rendi-me. Todas as lembranças, todas as imagens, todos os beijos, todos os sonhos, todos os desejos, ofereci-te-os por entre vinho branco e uma carne qualquer que não combinava com o vinho, mas que escolhi só porque tu gostas.
Os teus dedos, o teu pescoço, a tua boca, e eu perdido entre a luz das velas e a vontade de ficar.
Estonteado de tanto espaço à volta sem gente. Cheio de ti e de mim, sem espaços abertos para mais ninguém.
A fruta polvilhada de beijos que eu queria dar na tua boca e a tua boca cheia de dentes brancos de passado e presente e quem sabe um futuro que quero contigo.
Depois o frio à noite que fugiu para o rio e o calor das rosas à venda de três em três passos que não compro porque tenho os braços tolhidos pela vontade de te abraçar...

AMO-TE!

-

PTM


sábado, 25 de outubro de 2008

Poema

Poema XVIII

Impetuoso, o teu corpo é como um rio
onde o meu se perde.
Se escuto, só oiço o teu rumor.
De mim, nem o sinal mais breve.

Imagem dos gestos que tracei,
irrompe puro e completo.
Por isso, rio foi o nome que lhe dei.
E nele o céu fica mais perto.

Eugénio de Andrade

Prémio dardos


Acho que foi premiado com este prémio pela TEMPO ENTRE OS TEMPOS
e agradeço a distinção.
Informações sobre o Prémio Dardos
“Com o Prémio Dardos se reconhecem os valores que cada blogueiro emprega ao transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc. que, em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, entre suas palavras. Esses selos foram criados com a intenção de promover a confraternização entre os blogueiros, uma forma de demonstrar carinho e reconhecimento por um trabalho que agregue valor à Web. Quem recebe o “Prêmio Dardos” e o aceita deve seguir algumas regras:
1. - Exibir a distinta imagem;
2. - Linkar o blog pelo qual recebeu o prémio;
3. - Escolher quinze (15) outros blogs a que entregar o Prémio Dardos.


Escolho então os seguintes:
Outono
CleopatraMoon
Aran
Lua de lobos
Momentus
Pingente
Paradoxos

Escolho apenas 7 que é um número que me dá sorte.

Beijos pelo prémio

sábado, 18 de outubro de 2008

quarta-feira, 1 de outubro de 2008


Escrever-te numa fúria peregrina que descobre em mim o que ainda sinto. Será que enlouqueci? Será que estou doente?
Será que estou morto?
Será que estou acordado?
Interiorizei-te como quem interioriza o seu próprio eu. Enervas-me , irritas-me desespera-me pelo silêncio, pela aparente distancia, por este malfadado destino que me condenou a não te esquecer depois de te ter aprendido.
Pegar na caneta e escrever-te numa fúria peregrina um qualquer texto a toda a hora, que te diga agora da minha dor, depois da minha raiva , a seguir do meu desespero, e depois do meu desejo e vontade de te ver.
Mudança de idade? Pode ser. O que é, é que nunca nenhuma mulher me fez o que tu me estás a fazer.
Que faço?
Escrevo-te então numa fúria peregrina.
Esta noite só vou dormir de cansaço porque, nos meus olhos a tua imagem persegue-me até no sono que vem à força de tanto tentar esquecer-te entre papéis e gente que não me interessa.
Diz-me que hei-de fazer.
-
PTM

Com a marca de Cleopatra

A Cleopatra distinguiu-me com o seu selo. Atribui o selo pela sensibilidade. A sensibilidade é apenas fruto da saudade e provavelmente chama-se dor,ou medo,ou amor. Obrigada Cleo por gostar de ler patetices.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Pedro Abrunhosa -

Deixas Em Mim Tanto de Ti

domingo, 21 de setembro de 2008



O Sal na língua

Escuta, escuta:
tenho ainda uma coisa a dizer.
Não é importante, eu sei,
não vai salvar o mundo,
não mudará a vida de ninguém
- mas quem é hoje capaz de salvar o mundo
ou apenas mudar o sentido da vida de alguém?
Escuta-me, não te demoro.
É coisa pouca, como a chuvinha que vem vindo devagar.
São três, quatro palavras, pouco mais.
Palavras que te quero confiar,
para que não se extinga o seu lume,
o seu lume breve.
Palavras que muito amei,
que talvez ame ainda.
Elas são a casa, o sal da língua.

Eugénio de Andrade
(1923-2005)

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

quinta-feira, 28 de agosto de 2008


Férias no fim. Umas férias a "só" com muita praia, muito sol, muito jornal e muito livre para ler. Muita tentaiva de noitadas.Todas curtas. Um ou outro entusiasmo. Todos curtos também E a tua falta sempre aqui no meio do peito. A tua maldita ausência sempre em mim. Dormir de cansaço e acordar de saudade.

Agora é mais a luta do dia a dia e a procura de te ver. Não sei onde andas mas sei que te tenho comigo sempre.

Saudades amor. Fui de férias mas de ti não há férias possíveis.

-

PTM

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Vou descansar este coração










Desculpem mas deu-me para comprar uma colectânea do Júlio. É que, continuo apaixonado.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Desafio da Cleopatra


As cartas de desamor como as de amor, escrevem-se ou não se escrevem

Escrever, escrever-te neste momento em que tudo o que eu quero é afastar-me de ti, é das coisas mais dolorosas que me podem pedir para fazer.
Mas, talvez sirva de análise, de encontro de razões ou seja uma forma de exorcizar o que sinto e de ignorar o que está morto mim.

Como escrever-te uma carta de desamor se eu te amo? Como escrever-te uma carta de desamor se eu sei que nunca houve desamor entre nós.
Se tu foste, se tu és aquela que eu quero esquecer.
Pois não é verdade que se te quero esquecer é porque mais te lembro? Não é verdade que quando esquecemos nem sequer nos damos ao trabalho de o querer?
Como esquecer a mulher que comprava a mais linda lingerie para se deitar ao meu lado, que usava o perfume que mais me fazia sentir o aroma dela? Como esquecer a mulher com quem aprendi a fazer amor, a mulher que só de me tocar me fazia sentir o desconhecido?
Como esquecer esse teu olhar tão profundo que me deixava louco, perturbado, à beira de um ataque de nervos?
Muitos olhares farão isso também, mas o teu era único?
Com esquecer a seda que sempre te cobre as pernas e a maciez da tua pele que tem um brilho único, tão doce?
Com esquecer-te meu amor de olhos profundos?
A tua doçura, a tua autenticidade, o que sempre quis só para mim. O que egoísticamente quis só meu e não percebi que podia ser só meu e, não percebi que a tua alma era minha
Se há desamor amor, é da minha parte , que tu , nunca deixaste de me amar como eu nunca deixei de te querer.
O que me doi é a nossa impossibilidade, a nossa distancia, os nossos obstáculos, as nossas limitações que tu querias transformar em nada
E eu fui cruel e eu fui cego e eu fui autista.
Agora penso o quanto te terei feito sofrer, a ti que arriscavas, que nem tinhas medo de arriscar, que me querias contigo,...Lembro o teu rosto encostado no meu pescoço e a sensualidade e o prazer, a lentidão com que inalavas o meu cheiro.
E lembro o calor da tua pele na minha, a tua mão ao de leve no meu rosto e tantas tantas coisas que nunca passarão.
Onde fui que tudo se desmoronou?
Talvez tenha sido quando descobri que te amava de verdade e que na verdade não podia amar sem ti.
Talvez tenha sido no momento em que senti que eras a única mulher que amava e que de tanto amar já não podia amar-te mais, já não tinha capacidade para te dar o amor que mereces, a felicidade que mereces porque algo está morto em mim e não é o amor.
Embora digas que nada disso interessa, ofendes-me quando dizes que te bastas com a presença deste homem que sou eu. Este homem que quase não respira sem ti.
Quis esquecer-te.Sabes o que é procurar alguém que nos ocupe o espirito e sentir que é tudo tão vazio, sem sobressalto, sem calor, sem medos porque esse alguém não és tu?
Sabes o que é imaginar-te ao meu lado e ser apenas a tua lembrança que ali está?
Sabes o que é esconder as tuas cartas, apagar os sms, esconder-me de ti, de mim, de nós?
Sabes o que é ignorar a realidade?
Sabes o que é amar e pensar que nunca serás só minha?
Sabes o que é deixar tudo por ti e ficar sózinho até contigo, porque estou morto?
Sabes o que é ter apenas para te dar este homem morto que sou eu e tu teimas em amar?
Lê como desamor este amor que fez de nós dois, em vez de um.
Estou morto meu amor.
Estou morto.
-
PTM

sexta-feira, 25 de julho de 2008




Canção grata

Por tudo o que me deste
inquietação cuidado
um pouco de ternura
é certo mas tão pouco
Noites de insónia
Pelas ruas como louco
Obrigado, obrigado

Por aquela tão doce
e tão breve ilusão
Embora nunca mais
Depois de que a vi desfeita
Eu volte a ser quem fui
Sem ironia aceita
A minha gratidão

Que bem que me faz agora
o mal que me fizeste
Mais forte e mais sereno
E livre e descuidado
Sem ironia amor obrigado
Obrigado por tudo o que me deste

Por aquela tão doce
e tão breve ilusão
Embora nunca mais
Depois de que a vi desfeita
Eu volte a ser quem fui
Sem ironia aceita
A minha gratidão

Florbela Espanca

terça-feira, 8 de julho de 2008

MORRO POR TI


Sou homem feito mas o coração dispara-me no peito só pela possibilidade de estar contigo novamente.
Dizes-me que vens. Não posso crer depois de tudo o que já passou por nós. Não é verdade. Sei que algo sucederá até que o teu caminho chegue a mim.
O Telemóvel traz-me a tua voz e eu finjo . Finjo! Finjo que quero e nem sei se quero. Tenho medo. Como posso?
E tu vens. E tu chegas. E as nossas mãos encontram-se e os meus olhos procuram-te num desespero de verdade ou mentira. E eu sinto o teu cheiro como tu sentias o meu
E eu, que aprendi os aromas como tu, a química como tu,....ou terá sido contigo? Eu que sinto o teu cheiro, quedo-me pelas tuas palavras, o teu riso de mulher que quero para mim e não é minha.
-
O teu cabelo passa na minha mão e afaga os meus dedos, o teu olhar ri-se e acaricia-me.
Chegamos, sentamo-nos, há um mar imenso de tempo que ficou para trás à nossa frente.
Quero-te. Não quero que me fujas, não te quero fugir.
Fica comigo... quero-to e aos teus lábios e ao teu pescoço e aos teus beijos, e quero as tuas mãos nas minhas e quero o teu corpo no meu, e quero a tua pele na minha pele.
TENHO SAUDADES DA TUA PELE! Apetece-me gritar ao Mundo que morro sem ti.
E os teus beijos suaves demorados, doces e meigos e as tuas mãos que me acariciam e despertam e o teu rosto de mulher e o teu sorriso gaiato e eu... MORRO DE SAUDADES DA TUA PELE!
E faço amor contigo.
O amor mais puro que me ensinaste a fazer e, beijo-te da forma mais calma e lenta que me ensinaste, e acaricio-te com a suavidade que me impuseste e sinto-te com a loucura que me despertas.
Olhas-me e tens-me.
MORRO EM TI!
-
PTM
-
Desperto e enfureço-me... tudo o que te tive não é meu.

domingo, 29 de junho de 2008

Onde andas?....Dá-me a tua mão. Pensas em mim?

segunda-feira, 23 de junho de 2008


Sinto-me angustiado









Não me concebo amando, nem dizendo
A alguém "eu te amo" — sem que me conceba
Com uma outra alma que não é a minha
Toda a expansão e transfusão de vida
Me horroriza, como a avaro a idéia
De gastar e gastar inutilmente —
Inda que no gastar se [extraia] gozo.


XV
Quando se adoram, vividos,
Dois seres juvenis e naturais
Parece que harmonias se derramam
Como perfumes pela terra em flor.

Mas eu, ao conceber-me amando, sinto
Como que um gargalhar hórrido e fundo
Da existência em mim, como ridículo
E desusado no que é natural.

Nunca, senão pensando no amor,
Me sinto tão longínquo e deslocado,
Tão cheio de ódios contra o meu destino. —
De raivas contra a essência do viver.


XVI
Vendo passar amantes
Nem propriamente inveja ou ódio sinto,
Mas um rancor e uma aversão imensos
Ao universo inteiro, por cobri-los.


XVII
O amor causa-me horror; é abandono,
Intimidade...
... Não sei ser inconsciente
E tenho para tudo [...]
A consciência, o pensamento aberto
Tornando-o impossível.

E eu tenho do alto orgulho a timidez
E sinto horror a abrir o ser a alguém,
A confiar n’alguém. Horror eu sinto
A que perscrute alguém, ou levemente
Ou não, quaisquer recantos do meu ser.

Abandonar-me em braços nus e belos
(Inda que deles o amor viesse)
No conceber do todo me horroriza;
Seria violar meu ser profundo,
Aproximar-me muito de outros homens.

Uma nudez qualquer — espírito ou corpo —
Horroriza-me: acostumei-me cedo
Nos despimentos do meu ser
A fixar olhos pudicos, conscientes.
Do mais. Pensar em dizer "amo-te"
E "amo-te" só — só isto, me angustia...

Fernando Pessoa