
Já não posso dizer que te amo sem saberem que te amo.
Descobriram o meu segredo
Enquanto o sofria calado ninguém se importava com isso.
Nem com o meu silêncio nem com o meu olhar parado.
Vazio e abandonado vagueva por aí, aos encontrões com a saudade e o frio que o peito cava nas horas amargas.
Há homens que entretanto se apaixonaram com a força que eu já conheci e me fez feliz.
Agora rio-me como se fosse alegre e expiro e inspiro ar, fingindo que sou feliz.
Meu amor de rosto ausente de sentires profundos e verdadeiros, meu amor sempre presente e que não tenho aqui.
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Há manhãs que não quero acordar para não ver os dias de sol. Eles trazem-me a tua presença nos dias em que eram claras as madrugadas e o meu peito urgia pela tua voz e o meu olhar pelo teu.
Há tardes que quero que acabem rápido para mergulhar no peso das pálpebras que obrigo a fecharem-se, para esquecer que te perdi.
Perdi as asas.
Aquelas que me deste e me fizeram partir em direcção ao sonho.
Perdi-as à força de tanto teimar fazer-te sonhar um sonho que fosse só meu .
A calamidade não é só global, é minha e vai -me destruindo até ao caos de uma camada de ozono sufocada e cinzenta, esquelética e inexorável.
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Um dia subo ao ponto mais alto da imaginação e atiro-me dela abaixo.
À força de querer esquecer-te, hei-de estilhaçar em cristais a memória .
PTM