
De repente estavas tão longe.Não sabia como quebrar o enorme muro que eu erguera pedra a pedra entre nós. De repente o teu olhar escondia-se atrás dos óculos escuros. De repente eu tinha-te ao alcance da minha mão e não sabia como chegar a ti. O Sol reflectia-se no teu cabelo e dava-lhe um tom de fúria. E eu tinha medo. Sentia-me tão pequeno perante o tamanho todo da tua personalidade, do teu querer, do teu saber sempre o que fazer e o que querer.
De repente pedi-te para mudar de mesa. O Sol parecia ter-se apagado ao teu redor e a tua luz ficou mais suave. Começaste a falar. Como numa despedida, fazias um resumo de tudo o que deixara de repente de ser nosso.
E de repente, sem eu saber como, as nossas mãos enlaçaram-se e os teus olhos falaram comigo e a tua voz envolveu-me e eu tive vontade de te abraçar e de me deixar envolver e de morrer de amor em ti. De repente. Não mais que de repente.
PTM