segunda-feira, 27 de julho de 2009

Não sabem nem sonham



"Aqueles que me têm muito amor
Não sabem o que sinto e o que sou...
Não sabem que passou, um dia, a Dor
À minha porta e, nesse dia, entrou.

E é desde então que eu sinto este pavor,
Este frio que anda em mim, e que gelou
O que de bom me deu Nosso Senhor!
Se eu nem sei por onde ando e onde vou!!

Sinto os passos de Dor, essa cadência
Que é já tortura infinda, que é demência!
Que é já vontade doida de gritar!

E é sempre a mesma mágoa, o mesmo tédio,
A mesma angústia funda, sem remédio,
Andando atrás de mim, sem me largar!"



Florbela Espanca

8 comentários:

Vestígios de luz …salpicos de mar … disse...

Saudade
Lamuria batente
Se enxagua nas imagens guarda dadas …
Apertadas pelo soluçar da alma….
Lamurias
Abrigadas
Perfurando o tempo…
Transformando o chão.
De quem se arrasta …
E se acalma remendando o véu ….


Não adiante gritares dentro de agua…

ParadoXos disse...

adoro as flores poéticas de F.Espanca!!

obrigado pela partilha!


forte abraço

ParadoXos disse...

adoro as flores poéticas de F.Espanca!!

obrigado pela partilha!


forte abraço

Marta disse...

Adoro!
Mesmo muito...
Já tinha saudades de reler este soneto :)

Obrigado pela partilha.

Beijos

Paula Raposo disse...

Obrigada pela partilha! Um dos sonetos que gosto. Beijos.

Bruma disse...

Pois é verdade "não sabem nem sonham"...
Outro poema magnifico de Florbela Espanca... mas este não me lembro de ler lido...

Obrigada pela partilha

Jinhos

Apenas eu disse...

a dor da saudade do que nunca se teve doi mais do que perder algo que se viveu, na primeira é um vazio, a 2ª é uma ferida mas com memórias...

bjo
bom fim de semana

Rabisco disse...

Florbela Espanca é um hino aos sentimentos mais puros...
Boa escolha!
Existe quem lhe chame piegas e destrutiva... eu sinto-a genuína...