
__________________________________________________
Um gajo quando se passa , perde-se.
Se te disser que me passei, acreditas?
Mas é verdade. Passei-me.
E um gajo quando se passa perde-se mesmo. Embarca em um qualquer navio que passe no porto e inicia uma viagem longa.
Não sei se a minha tem retorno.
Se te contassse o que de há 3 anos me acontece e a viagem em que embarquei há tempos.
Se te contasse, dizias-me moribundo e cadáver de uma vida que nunca quis para mim mas é minha agora.
Há ventos no cais, sinto que por vezes a tua mão me acena e o teu sorriso me diz:- Volta!
Mas eu embarquei no primeiro barco que passou no porto. Ainda tentei desembarcar, uma vez ou outra mas, um homem quando se passa perde-se.
Já dei por mim embriagado de desgosto.
Nem tento estender a mão com medo de não encontrar a tua.
O homem do leme tem cabelos ruivos (agora pintou-os de ruivo) e, há noites que a lua parece um pesadelo como no Painel de José Régio.
Não sei se o barco tem bússula mas, sei que perdi o teu destino.
Um gajo quando se passa perde-se.
Queres mandar um barco à procura do meu Mar?
Achas que me encontras na bruma do teu esquecimento?
Amarar nos teus braços era um sonho que não posso ter neste momento.
Se o meu barco adornar e eu morrer no meio das algas, é porque me perdi e o timoneiro de cabelos ruivos como as noites de pesadelo, me arrastou para o fundo do Mar.
Ainda há sereias nos meus ouvidos,
mas nenhuma é a tua voz e nenhuma tem o teu magnifico Olhar.
PTM